Ora sala de visitas, ora confessionário, ora abrigo. Sempre meu pequeno espaço virtual! Registro de fatos, pensamentos, sentimentos de um cara com uma história meio diferente do padrão comum. Aquele padrão que ninguém consegue seguir à risca e sempre infringe de alguma forma, às vezes explícita, às vezes velada. Até porque, de perto ninguém é normal.
Analitics
quarta-feira, março 05, 2008
quinta-feira, fevereiro 28, 2008
Oh, vida!
Você sabe como é lutar pra sair da cama de manhã?
Você sabe como é trabalhar em dois lugares ao mesmo tempo?
Você sabe como é cuidar da parte financeira, da agenda e dos prazos do seu escritório?
Você sabe como é ter que terminar um serviço no limite do prazo, trabalhando noite adentro pra poder entregá-lo na manhã seguinte?
Você sabe como é sair de casa de manhã e só voltar depois da meia-noite?
Você sabe como é ter uma família que não quer te cobrar presença, mas vive te convidando pra almoçar aquele prato que você adora (mas nunca pode comparecer)?
Você sabe como é só poder ver i namorado uma vez por semana, entre sexta-feira de noite e sábado de manhã?
No, you don’t know what it’s like,
Welcome to my life!
E olha que eu não estou reclamando...
sábado, fevereiro 16, 2008
Pra não dizer que nao falei de Rio (parte 1)
Eu e meu gatinho viajamos de ônibus numa quinta-feira à tarde e chegamos ao Rio à noite. Qual não foi a minha satisfação ao chegar ao prédio do Ricardo e do Leandro e vê-los nos esperando lá embaixo. “Eu achei que vocês fossem maiores!”, disse o abusado do Ricardo, sem nenhuma cerimônia, antes mesmo de subirmos as escadas. Era uma prévia de como seriam os próximos dias, de conversas animadas, brincadeiras, histórias e muitas, mas muitas risadas mesmo.
Foi fácil se sentir em casa na casa dos meninos. Afinal, após tantos papos no msm, já tínhamos tanta intimidade que quase (eu disse, quase!) me sentiria à vontade pra ir ao banheiro de porta aberta, fechar a porta da geladeira com o pé ou dar um pontapé dos gatos que eles ainda não tinham. Já meu gatinho não havia tido quase nenhum contato com eles até aquele dia, mas não tenho dúvidas que o entrosamento foi praticamente imediato. Até porque, mesmo cansados da estrada, tivemos ânimo de render papo até as primeiras horas da madrugada.
Domingo foi dia de passeio de barca, quando tivemos a companhia agradabilíssima de Rogério - um encanto de pessoa. Vimos outros pontos turísticos de uma perspectiva inédita para mim, e nos divertimos muito fazendo palhaçadas no andar de baixo, enquanto a maior parte da turistada ficava no pavimento de cima. Baixou desde São Sebastião até Leonardo Di Caprio na embarcação.
No final das contas, tivemos uma viagem de muitos passeios, papos divertidíssimos e quase nenhuma badalação gay. Na verdade, este era mesmo o objetivo da viagem: conhecer o Rio de Janeiro que eu não havia conhecido nas minhas últimas viagens e que tem muito mais a oferecer que apenas homens deliciosos e sarados (de sunga, na praia, ou descamisados, nas boates). Estes eu já conhecia de outros carnavais – e solteiro. Desta vez, pude conhecer a Cidade Maravilhosa muito além do seu “mundinho G”, mesmo sem termos conseguido visitar alguns de seus pontos mais famosos.
De quebra, fomos recebidos e ciceroneados por duas pessoas fantásticas, inteligentes e divertidas, que não mediram esforços para nos receber bem e nos acolher com todo carinho. Partimos de lá já com saudades e o com uma grande vontade de “quero mais”. Isso sem saber que teríamos mais – e mais cedo do que podíamos imaginar.
(Continua...)
domingo, fevereiro 03, 2008
Um breve retorno
Nem ainda postei sobre a viagem para o Rio de Janeiro e já estou voltando para a Cidade Marvilhosa. Preciso dizer que adorei a da seman passada? Acho que não, né? E preciso dizer que vamos (eu e meu gatinho) ficar de novo na casa do Ricardo e do Lê? Ganha uma Bala Chita que acertar... Hehehehe!E olha que não é questão de pão-duragem. É que a recepção foi tão bacana que não tinha como abusar novamente dos meninos (no sentido não-sexual, diga-se de passagem!).
:-P
Tá certo que duas viagens semi-não-planejadas em duas semanas pesam um bocado no orçamento. Mas estamos apenas em fevereiro, e tenho quase um ano inteiro pra ganhar dineiro de novo.
Por agora, vejo apenas que logo estarei devendo (pelo menos) dois posts sobre as avebturas mineiras nos mares cariocas. (tudp bem, eles vão ficar devendo também... KKKKK).
sexta-feira, fevereiro 01, 2008
Tá explicado então...
Notícia veiculada no site Amigos da Velocidade dá conta de que Rubens Barrichello declarou que saiu da Ferrari por conta da preferência que era dada ao alemão Michael Schumacher.Eis a declaração atribuída ao piloto pela reportagem:
"Eu sempre pedi mais, sou uma pessoa que nunca está feliz em segundo. Podia parecer tudo bem no pódio quando eles me falaram para deixar o Michael passar, mas, nos bastidores, era sempre uma grande briga", declarou o piloto.
A parte em negrito explica porque ele parece nunca estar feliz... (E olha que faz tempo que ele tá mais para 12o. que para 2o.!)
PS.: Ainda devo o post sobra a viagem!!
terça-feira, janeiro 29, 2008
Vários motivos para sorrir
Os últimos dias foram fantásticos. Estivemos (eu e meu gatinho) no Rio de Janeiro no último final de semana (na verdade, de quinta-feira a domingo). Ficamos na casa do Ricardo e do Leandro que nos receberam e nos ciceronearam de forma espetacular. Como no momento estou muito apertado de tempo, deixarei para escrever (em breve) sobre a viagem, com o merecido capricho. O que me motiva a escrever este post é a vontade de registrar o fato de eu ter acabado de retirar o aparelho fixo que utilizei por quase dois anos. Agora volto a ter um sorriso Colgate, e não mais um sorriso “com grade”. E a sensação de finalmente poder escovar os dentes de verdade depois de muito tempo usando “ferrinho na boca” não tem preço.
:-D
domingo, janeiro 13, 2008
Eu confesso
domingo, janeiro 06, 2008
Brinquedinho novo
segunda-feira, dezembro 31, 2007
Post de final de ano de 2007
Com estas frases eu terminei o meu post de final de ano, ainda no blog antigo, em 29 de dezembro de 2006. De lá para cá, importantes mudanças aconteceram na minha vida. Sem sombra de dúvidas, a mais importante foi a mudança para o novo apartamento. Sair do aluguel foi meu maior passo para virar gente grande em 2007.
No trabalho, importantes progressos, mas ainda há um amargo gosto de "quase" na garganta. Avançamos um bocado, mas não deslanchamos... ainda! Só que está cada dia mais perto de acontecer, e é bem possível que neste ano aconteça um temido e esperado “breaking point” na minha carreira. Vamos ver se dessa vez o foguete decola.
Na família, resta a sensação de que muito se especulou mas pouco se realizou. Apenas agradeço por ter todos bem de saúde e, apesar dos pesares, estarmos próximos e unidos. Se eu tenho alguns créditos com o pessoal lá do “outro lado”, troco todas as possíveis vantagens pessoais pelo bem estar deles, principalmente dos meus pais.
Como sempre acontece nesta época do ano, os últimos dias têm sido de bastante reflexão sobre os rumos da minha vida. Têm se destacado alguns momentos de isolamento voluntário e os questionamentos sobre se estou dedicando muita atenção a quem pouco me valoriza de verdade, e estou deixando de lado pessoas que mereceriam mais de mim – principalmente da minha família. Será um presságio da famosa “crise dos 30”?
E pra finalizar, a "Receita de Ano Novo" de Carlos Drommond de Andrade, na voz de Lima Duarte, em comercial da EPTV.
sábado, dezembro 15, 2007
Breakfast

Acordar sozinho aos sábados era algo diferente para ele. Via de regra, as noites de sexta-feira eram passadas com o namorado. Até porque o namorado, que mora do outro lado da cidade, trabalhava sábado de manhã num local perto de sua casa. Então, as noites de sexta-feira em sua residência sempre uniam o útil ao agradável... literalmente. Só não gostava do fato de que, nos sábados em que não trabalhasse pela manhã, o namorado não dormia com ele às sextas. E, nessas horas, começava a se questionar se, para no namorado, o que lhe importava mais seria o útil ou o agradável. Um tipo de pensamento que não era nada agradável. Mas como por muito gostar, por muito querer, por pensar amar... evitava esse tipo de questionamentos.
Naquele sábado, porém, sentiu sua falta ao seu lado na hora de acordar. Sentiu falta de irem à padaria e comprarem o pão quentinho. Sentiu falta do seu café, do qual nunca abria mão. Sentiu falta de namorar de manhã, antes de ele ir para o trabalho. E por não ter talento, nem vontade, de refazer a rotina sozinho, preferiu fazer o desjejum na rua mesmo.
Foi a um café, que normalmente freqüentava à noite, em happy hours com os amigos de trabalho. Há muito queria ir lá pela manha, conhecer as novidades do cardápio, sempre com opções de muito bom gosto. Trouxe para sua mesa um jornal, a fim de ter algo interessante pra ler enquanto não chegava o seu pedido.
Pediu uma cesta de pães, com duas ciabatas e um croissant. Para acompanhar, uma pasta de azeitona e presunto e outra de tomate seco. Para beber, um café especial, com chocolate derretido nas bordas. Sobre a espuma clara, um usual desenho de folhas sobre o café e, para sua surpresa, um desejo de "bom dia" escrito pela barista, tudo feito com calda de chocolate. Sorriu, achando graça naquilo, e quase ficou com pena de estragar o mimo matinal enfiando a colherona xícara adentro.
Seus olhos fitavam ora o café, ora o croassant, ora o jornal, ora a ciabata. Enquanto isso, outros olhos o fitavam, duas mesas à frente. Era um rapaz bonito. Aparentava ter pouco menos que sua idade... uns três anos no máximo. Tomava o seu café ouvindo algo em seu iPod de fones brancos nos ouvidos. A barba rala se destacava na pele clara do rosto. E tinha olhos pequenos, provavelmente castanhos. E tinha um olhar que, vez por outra, pareciam tentar roubar a atenção daqueles que transitavam entre o jornal e a cesta de pães.
O rapazinho já estava lá quando ele chegou e não foi à toa que escolhera aquela mesa para fazer o seu pedido. Aliás, todas as vezes que chegava a algum local, sempre que procurava algum lugar para se instalar, tentava achar uma posição que lhe garantisse uma boa visão. Na hora da refeição, que mal haveria em alimentar também os olhos? Pois ao chegar ao café já tinha notado aquele rapaz vestido com a camisa de um time de futebol. Aliás, era a camisa do time rival ao seu, mas, mesmo assim, não poderia negar que homens com camisa de time de futebol – qualquer que seja – ganham um charme a mais. Usava ainda uma bermuda cargo e sandálias de quem também foi tomar café fora de casa pra não ter trabalho sábado de manhã.
Sentou-se naquele lugar sabendo que teria uma visão interessante para acompanhar o seu café. Não sabia que teria olhares te observando de volta. Quando percebeu, entre uma gole e outro de café, os sorrisos tímidos em sua direção, assustou-se... e animou-se também. Um tempero inesperado e gostoso para sua manhã.
Mas enquanto ele começava a sua refeição, o rapazinho já estava no meio da dele. E enquanto o rapazinho terminava o seu café, parecia incomodado pelo descompasso entre o timing das duas mesas. O rapazinho, sempre discretamente, fez um leve sinal com a cabeça, como que a indicar a saída. Ele percebeu e mostrou ter captado a mensagem. Mesmo assim, manteve-se entre suas guloseimas - aliás, deliciosas guloseimas matinais. O rapazinho levantou-se e, ao invés de sair diretamente, parou para ver os outros jornais disponíveis para leitura no local, próximo ao caixa. E por ali ficou, o tempo necessário.
Ele terminou o seu café, fechou o seu jornal e foi devolvê-lo ao local adequado, justo onde estava o rapazinho. Chegaram ao caixa juntos. Pagaram as respectivas contas. Logo estavam ambos na rua, na porta do café. E seguiram na mesma direção, sem trocar palavras. Ele resolveu reparar melhor o rapazinho e, assim, mais de perto, lhe pareceu ainda mais interessante. Andaram próximos por alguns metros. Estavam lado a lado. E, como não estavam mais frente a frente, uma nova troca de olhares precisaria ser menos “casual” que aquelas de dentro do café. Uma nova troca de olhares seria como um passo à frente, um abrir de portas, um sinal que ultrapassaria o mero acaso e serviria de confissão – ou de convite. Por mais que estivesse clara, para ambos, toda a comunicação não verbal ocorrida até então, uma nova troca de olhares significaria uma iniciativa... que não aconteceu.
Na esquina seguinte, cada um seguiu por um caminho diferente. Ele ainda pôde ver o rapazinho entrando num prédio, que deveria ser o de sua casa. Fez questão de reparar onde era e gostou de pensar que moravam próximos um do outro – quem sabe não voltariam a se ver algumas outras vezes?
Pensou num tipo de reclamação que já ouvira várias vezes de alguns amigos, que vivem se queixando de não encontrar ninguém bacana. Amigos que sonham conhecer uma pessoa fora de qualquer local segmentado, como na boate GLS, no bar GLS, na pegação GLS, ou coisa parecida GLS. Querem conhecer na fila do cinema, nos corredores do supermercado ou, quem sabe, num café pela manhã. Bem, o rapazinho pareceu ser um desses caras dos sonhos desses amigos – que um dia foram seus sonhos também – se materializando pra pessoa errada, ou na hora errada.
E continuou seu caminho sozinho e satisfeito. Satisfeito com o café, as ciabatas, o croissant e o rapazinho – este último o tempero perfeito para uma manhã que se prometia um tanto melancólica. E, mais ainda, o tempero na dose certa, pois este flerte inofensivo (sem atos concretos nem promessas futuras) é o máximo que se permitiria sendo um homem comprometido.
Foi para casa certo de que, se pudesse voltar no tempo, não mudaria o desfecho deste episódio. Até porque, no final daquela mesma manhã, ficou feliz por receber a visita do namorado, e por namorarem intensamente antes de almoçarem juntos.





