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segunda-feira, março 28, 2011

E a frase é... (12)

E numa conversa de GTalk surge a seguinte assertiva:



"Amigo, se isso te serve de consolo, mesmo quando você escreve merda, você escreve bem!"

A série “E a frase é...” é uma coletânea de frases emblemáticas que, em algum momento, por algum motivo, dita por alguma pessoa, ganhou um significado único, normalmente engraçado (quando não hilariante). Só que fora do seu devido contexto, estas frases parecerão estranhas e sem sentido para a quase totalidade dos leitores. Esta série tem o objetivo de documentar estas frases para o Autor do blog e instigar a imaginação de seus leitores sobre quem/como/quando/onde foram ditas.

sábado, outubro 16, 2010

Mudança de visual (e de ares)


Sábado passado cortei meu cabelo curto, depois de mais de ano deixando crescer. Já estava cansado da trabalheira que ele dava. Mesmo com produtos caros, tratamentos, etc., eu me dei conta de que não valia mais a pena.


É complicado contrariar o DNA. Custa tempo. Custa dinheiro. Custa paciência. Era véspera da viagem ao Rio, e já queria outro visual. Ficou muito, mas muito melhor mesmo.


O cabelo curto fez sucesso com todas as mulheres dos meus dois trabalhos. Chefes e subordinadas. Até meu sócio comemorou a mudança. Rejuvenesci pelo menos uns cinco anos. Voltei a ter cara de menino. Isso é bom! :-D


Eu e Personal chegamos ao Rio no domingo de manhã. Já na saída do aeroporto vimos um pessoal se dirigindo para o Circuito das Estações da Adidas, cuja corrida se iniciaria em pouco mais de meia hora, pertinho do nosso hotel. Se soubesse do evento, iria me inscrever pra participar. Pena.

Encontramos um casal de amigos baianos que já estava no hotel desde a véspera, nossos companheiros de viagem. Os dias foram quase sempre nublados, com alguma chuva em alguns momentos. Ainda assim valeu a pena. Encontramos amigos da turma de Fórmula Um, que saíram da cidade vizinha em que moram só pra nos ver. Meu primeiro ex (e atual grande amigo) estava na cidade, mas não consegui vê-lo. Râzi, outro grande amigo, também estava na cidade, e também não nos encontramos.


Quem eu consegui ver foi o Autor, segunda na Noite Preta. Mas ele estava mais pra lá que pra cá. Ele cumprimentou Personal, não entendeu o nome do primeiro amigo baiano e reclamou do nome do segundo amigo baiano, pois era seu xará. Estava com uma menina linda, que conheceu na fila, e por pouco quase ficou parecendo hetero :-P

De saídas, além da Noite Preta na segunda, teve também Le Boy no domingo. Mega fila pra entrar. Go-go Boys que não dançavam nada e faziam cara feia quando fui bater uma foto deles. Fiquei de cara com isso! Bom, um deles dançava de toalha (e apenas de toalha) numa estrutura sobre o bar. Apontei a câmera, ele fechou a cara e ficou de costas. Só de sacanagem, enfiei a câmera por baixo da toalha e registrei aquilo que ele escondia debaixo dela. Longe de ser grandes coisas...



Foi uma viagem curta, sem sol e praia, mas com uma boa dose de mudança de ares, pra renovar energias e tirar um pouco do estresse do dia-a dia. No próximo mês, o pit stop é em São Paulo.

sexta-feira, outubro 01, 2010

Curtas

Muitas coisas pra escrever, mas a cabeça não está tão legal. Risco de deixar muita coisa sem registro. Momento perfeito para mais uma edição de curtas.

-         Tenho andado um tato disperso, lento e pouco produtivo. A máxima do “só funcionar sob pressão” nunca esteve tão presente.
-         Problemas de saúde na família. Estamos próximos de fechar o diagnóstico de uma doença grave em meu pai. Todos estamos bastante mobilizados e abalados. Foda.
-         Por essas e por outras, aço que estabeleci um ponto de fuga. É meu novo blog: Só Pra Enfeitar. É sempre rápido, fácil e prazeroso mexer com ele. Serve para uns poucos momentos de alívio.


-         Assisti ao filme Nosso Lar. Recomendo. Pendo em ler o livro, até porque tenho lido muito pouco. Espiritismo em alta ultimamente.
-         Integração de Personal com a família cada vez maior. É o queridinho das cunhadas. De uma delas, além de Personal Trainner, é praticamente pricólogo e confiente.
-         Tenho estado cada vez mais próximo de meu sobrinho. Ele e a namorada adoram programas comigo e com Personal. Um dia desses ainda os levo para uma balada gay, especialmente pra ela conhecer. Quase aconteceu já.


-         Passei a maior raiva na lanchonete Black Dog outro dia. Numa promoção da Jovem Pan do tipo “os cinco primeiros que chegarem ganham um cachorro-quente”. Eu e Personal estávamos entre esses cinco primeiros. Vieram com um papo de que os lanches grátis já tinham sido dados. Mentira. Havia dois advogados entre os lesados. Teve polícia (aliás, um PM liiiiiiiiiindo, super educado e charmosão). Essa história ainda vai render.
-         Saí do Muai Thay. O professor é muito bom, mas os alunos eram muito poucos, e eu estava perdendo muitas aulas também. Não estava valendo a pena. Foi bom enquanto durou.


-        Por outro lado, estou cada vez mais ligado no lance de corridas. Fim de semana passado participei da minha terceira. Difícil pra caralho! Várias subidas e descidas. Meu tempo foi pior que da última vez, mas pelas diferenças de trajeto, horário, etc., acho que meu desempenho foi melhor. Que venham as próximas!


-         Ouvi gente no meu trabalho falar que não votaria mais no Anastásia para Governador de Minas Gerais pelo fato de ele ser gay. Quase todo muno aqui ficou surpreso pela justificativa da mudança de voto. Uma colega de trabalho disse a essa pessoa que tinha ficado decepcionada com a atitude. Após muitos argumentos, parece que ela reconsiderou a decisão.
-         Personal não agüenta mais eu ver todos os debates na televisão até de madrugada. Paciência...


-         Parece que Irmã do Meio arrumou um paquerinha minimamente sério. Tomara que dê certo (com trocadilho).
-         Melhor amiga tendo crises de recaída pelo ex (que queria, inclusive, estragar nossa amizade). Achei que essa história já tinha acabado, mas pelo visto o cara não sai do pé dela. E ela já gostou muito dele. Mas,graças a Deus, parece que não tem volta. Ela merece coisa muito melhor.

Falando em ex, Melhor Amiga e Irmã do Meio encontraram meu último ex recentemente. Ele as viu e fez questão de as ignorar, solenemente, mesmo após elas o terem chamado pra cumprimentar. Muito mudado ele, segundo disseram. Ficaram indignadas. Mas isso é assunto que ernde um post inteiro.

terça-feira, julho 06, 2010

Hoje é dia...


Hoje é dia de meu aniversário.
Hoje é dia de fazer balanço dos últimos doze meses.
Hoje é dia de constatar (mais uma vez) que há doze meses eu não saberia adivinhar como estaria minha vida hoje.
Hoje é dia de reconhecer que tenho certo medo de como minha vida poderá estar daqui a doze meses.
Hoje é dia de recordar os apertos no(s) trabalho(s), na pós-graduação, na academia, e em todo o tempo investido nestas atividades. Os resultados valeram a pena?
Hoje é dia de me lembrar daqueles quinze minutinhos a mais na cama de manhã. Ou meia hora a mais na cama de manhã. Ou uma hora a mais na cama de manhã. E multiplicar por 365. Valeram a pena?
Hoje é dia de ver minha casa mais ampl,a clara e arejada que há um ano atrás. E de reconhecer que assistir a Copa em HD seria melhor se já tivesse comprado uma porcaria de sofá para a sala.
Hoje é dia de celebrar que estou mais próximo de minhas irmãs e de meu sobrinho, e de perceber que tenho que buscar esta mesma proximidade com meus pais – o quanto antes!
Hoje é dia de ganhar um post de homenagem do meu amigo querido Soccer Boy, e com isso ver as visitas ao blog dispararem.
Hoje é dia de ficar de olho no Gmail, no Orkut, no Twitter, pra ver quem se lembrou da data (na verdade, pra ver quem reparou no aviso do sistema e se deu ao trabalho de gastar 30 segundos – e uns poucos cliques – para enviar mesmo que um protocolar “parabéns”).
Hoje é dia de abraços e de beijos, quase todos sinceros, de quem se vê todos os dias.
Hoje é dia de celebrar os amigos de ontem, de hoje e de sempre, cada um no seu quadrado de meu multifacetado coração.
Hoje é dia de receber ligação do namorado à meia noite, com mensagem romântica e tudo, e pensar o quanto eu tenho sorte em ter uma pessoa tão amada e companheira ao meu lado.
Hoje é dia de jantar na casa dos pais, planejar a comemoração com os amigos mais para o final da semana, e imaginar a o fim da noite na cama de casa.



Mas hoje, só por ser meu aniversário, não é dia de agradecer a Deus por todas as minhas conquistas nestes 32 anos de vida. Pois isso é algo que faço todos os dias. Obrigado!



UPDATE: E hoje também não é o dia da chegada do Marthy McFly em "De Volta Para o Futuro", apesar de muita gente ter se deixado enganar pela imagem acima, não é mesmo Paulo? Hehehehe!

quarta-feira, janeiro 13, 2010

Sutileza


Um grande amigo me manda um email, com uma série de pensamentos e lembranças sobre sua vida, seus medos, seus atos, erros e acertos. Indagações detonadas após ver o filme "Do começo ao fim", já exaustivamente abordado na blogaysfera em geral. De todo emocionado (e emocionante) texto recebido, destaco uma frase que faço questão de registrar aqui:

"O amor é tão sutil que demorei seis anos para percebê-lo com clareza."

Leio esta frase e penso no sofrimento não apenas dele, mas também de muitos de nós, que têm relutância em se entregar aos sentimentos e, às vezes, desperdiçamos grandes oportunidades de sermos felizes. Grande é o mérito de quem é capaz de perceber a tempo essas sutilezas da vida, especialmente quando se vive o desafio do amor entre iguais.

quinta-feira, maio 07, 2009

Casamento do meu melhor amigo (ou fragmentos de uma mente alcoolizada)


Sábado passado foi o casamento do meu melhor amigo.

Pensei em escrever um grande post sobre isso. Afinal, ele é a única pessoa que transpassa por quase todos os meus vários universos. Lá na festa estavam minha família, meus amigos de infância, meus amigos de faculdade, dentre diversas outras pessoas amigas, conhecidas, etc., que fazem parte de minha história. Em nenhum outro evento conseguiria reunir tanta gente de círculos diferente de amizade quanto neste. Mais uma vez, emergiram sentimentos que se mostram comuns em "N" outros casamentos em que estive presente, talvez com mais intensidade.

Até por isso, e pelo tempo decorrido, provavelmente ste poderia acabar sendo mais um dos 'trocentos posts que eu coloco em mente, mas acabo não postando. Muitas boas idéias que se perdem pelo cansaço, pela preguiça, etc. Uma pena, mas não vou detalhar mais nada aqui.

Destaco apenas o essencial, a percepção de como verdadeiras amizades não se corroem com o tempo, ou a distância, ou até mesmo com atitudes ásperas. A semana foi rica em exemplos desta natureza. Diferentes situações. Diferentes tensões. De comum, a sensação de que relacionamentos estavam sendo colocados "em prova", ou algo parceido.

Olha, umas long necks me ajudaram a escrever isto esta noite. Mas desde o final da tarde percebi que, em tempos de raras palavras, são sempre as mesmas poucas pessoas que me inspiram e instigam a escrever aqui.

quarta-feira, dezembro 31, 2008

Final de ano

É hora do tradicional post de final de ano. E nesse momento penso apenas em colocar online o registro de algumas impressões sobre o ano que termina em poucas horas.

Foi meu primeiro ano completo na minha nova casa, na qual planejei fazer um bocado de mudanças, mas em que na verdade não mexi quase nada. Pelo menos já paguei 25 porcento do financiamento, que foi contratado para 20 anos, mas que pretendo quitar em no máximo mais dois.

Trabalhei como nunca e termino o ano com a sensação de que não estou conseguindo dar conta de tudo que tenho pra fazer. Acho que não termino 2009 no mesmo sistema de trabalho e penso seriamente em sair do meu serviço público e ficar 100% no escritório. Do jeito que está, não dá pra continuar. Mas não reclamo. O aumento no trabalho foi compensado com um aumento na renda. Graças a Deus, sou um sujeito que me sustento sozinho e não tenho necessidade de fazer muitas contas pra satisfazer a maior parte das minhas pequenas vontades cotidianas.

Na vida familiar, 2008 foi um ano mais tranquilo que os anteriores. Agradeço muito por ter meus pais por perto, vivos e saudáveis, ainda que a idade pareça lhes pesar um pouco mais a cada ano. Minhas irmãs parecem estar encontrando, cada uma, seu rumo para a estabilidade e meu sobrinho tem demonstrado se tornar uma pessoa muito bacana, inteligente e equilibrado, que hoje exerce na casa dos meus pais um papel que foi meu quase que minha vida toda.

Tempo é um artigo raro e caro hoje em dia. Fiz um baita esforço pra malhar pelo menos três vezes por semana, e em alguns meses tive sucesso. Difícil é só poder malhar entre nove e dez horas da noite, num lugar longe de casa, algumas vezes até sozinho. Cresci um bocado: nos braços, no peito, nos ombros... e na pança! Saudades do tempo que eu tinha abdômen, e não barriga! Mas nada que não se dê jeito. Aos 30 anos, sei que não faço feio e me olhando no espelho vejo que eu me pegaria muito mole.

Finalizo o ano solteiro, após terminar um namoro que durou um ano e meio. Terminei porque o relacionamento passou a me render mais estresse que e solidão que alegrias e companheirismo. Como sempre, sou hoje amigo do meu ex, de quem gosto bastante como pessoa, mas não conseguiria mais ter como namorado.

Desde então conheci algumas pessoas, fiz novos e bons amigos, mas mantenho-me sem compromisso com ninguém, a não ser comigo mesmo. De verdade, lamento que quem eu quero mesmo esteja tão longe e que a gente ainda não tenha conseguido se encontrar. É difícil viver essa expectativa à distância por tanto tempo, mas sou brasileiro e não desisto nunca. No tempo certo, o que tiver de acontecer vai acontecer.

Viajei menos do que queria, Vi a Fórmula 1 em São Paulo e o show da Madonna do Rio. Aliás, 2008 foi o ano de reafirmar minha paixão por esta Cidade Maravilhosa, para a qual vim algumas vezes durante o ano, e também onde passarei a virada. Enquanto esperto a hora de ir pra Copacabana ver os fogos, fico aqui, na casa de um amigo que amo de paixão, e que conhecer pessoalmente foi um dos melhores feitos do ano. Obrigado, Ricardo, por toda atenção, carinho, apoio, paciência, inspiração e exemplo durante este ano.

Enfim, o ano novo começa com cara nova no blog, por obra e graça do amigo Enfil, cuja criatividade me surpreende a cada post.

No mais, fica um desejo de um excelente 2009 a todos!

quarta-feira, outubro 01, 2008

Cala-te boca

Se um dia resolvesse ser padre, acho que no seminário eu tiraria as maiores notas na matéria "Atendimento no Confessionário". Desde há bastante tempo, inúmeras pessoas, de inúmeras origens, pelos interesses mais diversos, encontraram em mim porto seguro para suas confidências. Lembro-me, por exemplo, de uma garota com quem saí na adolescência – é, teve época que eu (achava que) era hetero – e já no primeiro encontro ela danou a me contar coisas escabrosas de sua família, sobre as dificuldades de relacionamento com os pais, casos de infidelidade, etc. À medida que a garota falava, eu tentava não mostrar uma cara de espantado, mas indagava com meus botões por que diabos ela revelava coisas tão cabeludas pra uma pessoa que mal a conhecia.

Outro exemplo, mais recente. Há poucos anos, um conhecido gay (na época éramos até amigos) veio me relatar sobre um abuso que sofreu na adolescência, na sua cidade de origem no interior de Minas, por parte de um sujeito um pouco mais velho (deviam ter cerca de 13 e 16 anos). Ele me relatava, com lágrimas nos olhos, os sentimentos que teve quando viu o sujeito anos depois, no seu local de trabalho em BH, descrevendo sobre o nojo que sentiu, e sobre outros detalhes mais íntimos do trauma que o episódio lhe causou.

Penso que nestes casos, como em dezenas de outros, as pessoas viram em mim uma pessoa confiável, à qual poderiam narrar segredos de diversas naturezas, com a certeza de que tais relatos não seriam reproduzidos. E eu realmente sei guardar apenas para mim as confidências que me são feitas, mesmo que isto me custe a perda de certas oportunidades que uma "língua solta" poderia me trazer.

O problema é que o tempo foi passando, e a experiência acumulada acabou por me atiçar outro papel junto ao de confidente: o de conselheiro. Sim, agregado à função de ouvir os casos alheios, em algumas oportunidades, aventurei-me a dar meus pitacos sobre o que achava das situações. E, na quase totalidade das vezes, por questão de extrema cautela, impus-me a regra básica de que conselho só é dado a quem pede. Quando muito, pode ser sugerido a quem demonstra precisar muito, e olhe lá!

Só que começo a ver que esta "função agregada" é por demais traiçoeira. E mesmo com a regrinha básica acima mencionada, muitas vezes a pessoa que pede sua opinião logo depois mostra que preferiria realmente não ouvir o que você tem a dizer. E nisso surgem situações deveras desagradáveis.

Certa vez recebi um SMS com estes exatos dizeres: "Te mandei email. Olha lá se puder e comente. Seus comentários me são muito importantes, sabe disso. Bjo." Por essas e outras tantas situações, recentemente, julguei-me na liberdade de dar palpites na vida alheia. Ledo engano. Disse muita coisa desagradável e, em troca, recebi outras tantas de igual ou maior aspereza. E não me cabe analisar quem está "certo" ou "errado". (Possivelmente, errados fomos os dois.) Nem me cabe também querer imbuir-me das dores e aflições alheiras até porque outra pessoa também já me acusou de ser incapaz de me colocar na posição de meus interlocutores.

Nisso tudo, vejo que tenho que aprender a avaliar melhor as situações e, via de regra, começar a agir tal como Wilson, a bola de volei companheira de Chuck Noland, personagem de Tom Hanks no filme "Náufrago". Com seu semblante impassível, Wilson foi capaz de acompanhar as agruras de Chuck anos a fio, sem lhe dirigir um único palpite errado ou comentário torto. Mesmo em silêncio, ele foi mais capaz de dar-lhe ânimo que centenas de palavras bem intencionadas não conseguiriam. E, no final, Chuck acabou chegando bem casa.

quinta-feira, setembro 25, 2008

O "meio" e o ambiente


"Você freqüenta o meio?"

Lembro-me do meu início na vida gay, quando eu sequer tinha certeza do que gostava ou deixava de gostar, mas dispunha-me a experimentar o contato íntimo com outros homens. Nas conversas em chats na internet, ou no msm, a indagação sobre o "meio", muito comum entre os iniciantes e os enrustidos (e no meu caso eu era ambos), aparecia tanto quanto o famigerado "Você é A ou P?".

Durante muito tempo, relutei em ir a lugares gays, especialmente por medo de ser reconhecido. Também a atmosfera de alguns deles, muito sombria e erotizada, não me trazia uma energia boa. Questionava-me por que tais lugares tinham que ser, ao mesmo tempo, locais para esconder o rosto das pessoas "lá de fora" e pra expor o corpo pras pessoas "lá de dentro". Por essas e outras, muitas pessoas valorizam os que não "freqüentam o meio" quase tanto quanto aquelas que são "discretos" e "não afeminados". No fundo, parece que o contato com outros gays ganha um aspecto "contagioso", que a afetação é transmitida pelo toque, ou pelo ar, ou que homossexuais são classificados pelos seus próprios pares em categorias que chamaria de, digamos... "graus de viadagem".

Minha introdução no "meio" se deu de forma lenta, gradual e irreversível. Aos poucos, fui conhecendo lugares novos. Percebi que só se embrenha na escuridão e na promiscuidade quem deseja. Identifiquei locais bacanas, abertos, iluminados, cheios de saúde e vida. Principalmente, vi-me em alguns ambientes em que me senti à vontade, podendo ver e ser visto sem medo de qualquer represália. Isso tudo sem me agredir, sem mudar meu jeito de ser, agir ou pensar.

Acontece que, nas últimas semanas, até mesmo pelo recente final de meu namoro, acabei por um movimento "natural" restabelecendo contatos com amigos "das antigas", dos tempos de colégio e faculdade. Coincidiu ainda de, em dois finais de semanas seguidos, eu comparecer a três casamentos e um churrasco, todos com turmas de amigos heteros, que não sabem (e nem se mostram interessados em saber) sobre minha sexualidade.

No entanto, impossível não registrar que ao lado da alegria dos reencontros com várias pessoas queridas, com as quais meu contato havia rareado, estes eventos também me trouxeram momentos de um certo incômodo.

Era chato ser o único desacompanhado no meio de vários casais.
Era chato perceber que eu fui um dos únicos que recebeu apenas um "convitinho" pra festa, ao invés de dois.
Era chato ver que, ao final da noite, os poucos solteiros sempre tratavam de abordar e mulheres do local, quase sempre com sucesso (ah, no meu tempo de hetero as mulheres nunca davam esse mole todo!).
Era chato perceber que as mulheres no local não me interessavam, e que mesmo pelos próprios homens eu não me empolgava.
Era chato me sentir quase um ser assexuado.

Nestas situações, por mais que me encontrasse entre amigos, e por mais que percebesse que não havia qualquer pressão ou expectativa sobre minha pessoa, era fato que eu me sentia "sem ambiente". Tal como uma pessoa que se sente incomodada quando não tem o hábito de usar gravata e é obrigada a vestir num evento especial. Ou uma pessoa que coloca um sapato novo e caminha a tarde inteira com o calçado apertando o calcanhar. Só que meu incômodo era na alma. De alguma forma me sentia tolhido em parte importante da minha integridade. Não consegui agir em plena liberdade.

Por essas e outras que após um dos casamentos não hesitei em sair no final da festa e ir diretamente para uma boate gay daqui da cidade. Lá, mesmo estando sozinho, me senti liberto de minhas próprias amarras. E a sensação de liberdade da alma que vivenciei me mostrou que, mesmo com todas as ressalvas que eu ainda pudesse ter ao "meio", certamente aquele era muito mais o meu ambiente.

quarta-feira, setembro 17, 2008

Sufoco


Queria escrever um post sobre Tutu, meu último namorado estive junto por um ano e meio, sendo que o namoro terminou há quase um mês, dando origem ao post abaixo. A idéia era escrever sobre como ele é um cara bacana, animado, bonito, e também como mesmo tendo um jeitão todo de criança, agiu de forma extremamente madura quando de nosso término. Só pra registro, eu terminei o namoro só que, no final da nossa conversa, era ele que me consolava!

Comecei a escrever o post, mas não consegui terminar. No início, parava pra conter algumas lágrimas. Depois o tempo foi passando e me vi absorvido por várias outras tarefas. Quando dei por mim, já tinha perdido o timing daquilo que seria uma homenagem e ao mesmo tempo um registro de despedida.

Também por isso acabei não escrevendo sobre o final de semana que passei no Rio, na casa do Râzi e do , que foram (como sempre) uns amores, e escreveram sobre a visita na época. Então deixo os links dos relatos aqui e aqui, sorrateiramente surrupiando os seus textos e agradecendo novamente todo o carinho recebido.

No entanto, devo registrar que as últimas semanas foram de bastante sufoco, em vários aspectos. Alguns dos visitantes deste espaço sabem que trabalho em dois locais: um negócio próprio e um serviço público. Pois exatamente nesta época houve uma espécie de auditoria no meu serviço público (na verdade, a primeira de três que acontecerão no intervalo de pouco mais de um mês).

Os dias que antecederam a data desta “auditoria” (que ocorreu no último dia 09 de novembro) foram de bastante tensão, até porque toda uma documentação que deveria providenciar simplesmente dependia do envio de outros setores sobre os quais eu não tinha controle. E depender dos outros em casos assim é uma merda!

Bom, não devo negar que boa parte na “culpa” foi minha, uma vez que deixei algumas providências para a última hora e não tomei as devidas cautelas para o caso. Mas foi a primeira vez que fiquei responsável por isso em anos de trabalho no setor. Faltou experiência, vivência, uma certa maldade até.

No final, tudo deu certo. Por pouco, mas deu. Fomos até elogiados pelos “visitantes”. Naquela terça-feira, por este e por outros motivos, fui tomado por uma sensação de alívio pelos resultados obtidos, mas também saí com a sensação de alerta para que nunca mais me colocasse vulnerável novamente.

Desde então os dias têm se seguido, ainda com muito trabalho, mas sem a “faca no pescoço”, até porque muitas das providências já tomadas servirão para as duas próximas auditorias marcadas para breve. O negócio é que, nos finais de semana, ao invés de aproveitar para descansar dos dias corridos, acabei dando minhas voltas pela night belorizontina.

No último final de semana, por exemplo, tive dois casamentos de amigos de faculdade (sábado e domingo). No próximo sábado, tenho programado outro casamento, de amigo do trabalho (no qual serei padrinho!) e ainda um churrasco de despedida de um amigo da turma de colégio.

E nesse momento reparo que, como em outras oportunidades, o final de um namoro me leva a retomar contatos com amigos “das antigas”, dos quais eu invariável e involuntariamente me afasto quando estou com alguém. Enfim, estou me readaptando à vida “de solteiro”, sem saber quanto tempo levarei até encontrar um novo ponto de equilíbrio.

domingo, agosto 03, 2008

Friends on the Road



Semana passada meu humilde cafofo passou por uma “prova de fogo”. Visitantes ilustres marcaram presença durante pouco mais de uma semana, e alteraram para muito melhor a minha rotina.

O chegou no domingo, dia 20, em pleno dia de parada gay em BH (!). Quinta-feira, dia 24 (!!!), de manhã foi dia do Râzi chegar. Já no dia seguinte, foi o Oz deu as caras.
Vou fazer como o Râzi e me esquivar de descrever detalhadamente tudo o que aconteceu. Sabe, foi tanta coisa, tantos passeios, encontros, reencontros, apresentações, aventuras... Impossível retomar tudo aqui e agora.

Faço questão de registrar que foram dias fantásticos, nos quais me esforcei para receber meus amados amigos da melhor forma possível. E nesta missão tive o apoio do meu gatinho e de grandes amigos (em especial do Ludo de minha grande amiga mais que especial), que deram a maior força quando não pude estar presente.

De tudo que passou, me felicito em constatar que possuo grandes amigos, com quem posso contar nos momentos de necessidade. Falo isso tanto a respeito dos que vieram quanto dos que aqui já estavam. Noto, aliás, a grande tendência entre uma turminha de amigos blogueiros em tentar se encontrar e estreitar os laços traçados pela web.

Não gosto da expressão “amigos virtuais”, pois de “virtual” só há o meio de contato (alguém aí já ouviu falar de “amigo telefônico”, por exemplo???). E virtual, nesse caso, pode transparecer um sentido de “não verdadeiro”.

Pelo contrário, estas amizades têm se mostrado extremamente reais e sinceras, pouco importando se as pessoas encontram-se a centenas ou milhares de quilômetros. E faço votos que este tipo de interação se intensifique, e que novos encontros surjam no horizonte.

quinta-feira, junho 12, 2008

Mega drops


Pois é, depois de semanas sem publicar nada, sento na frente da "folha" em branco do Word com a sensação de muitas coisas pra contar e alguns medos: medo de escrever demais (prolixo), medo de escrever de nenos (desleixado), medo de fazer citações (injusto com os não citados), medo de não terminar de escrever (falta de vergonha na cara), medo de não ter mais leitores (tem alguém aí?!?!?!).

Mas como "medo de cu é rola", vai aí uma série de drops, com alguns dos melhores (e piores) momentos das últimas semanas:

- Fui ao Rio de Janeiro visitar o meu querido Râzi e el maridón, o não menos querido . Meu namorado foi comigo, mas quase fica pra trás. Isso porque eu fui na frente de carona, mas ofereci de pagar a passagem de avião pra ele ir depois do trabalho. E não é que o viado resolve fazer charminho do tipo "será que devo...?".

- A viagem, como sempre, foi ótima, com a recepção toda carinhosa por parte dos meninos. Para uma descrição detalhada, clique aqui. Obrigado, amigos!

- Na semana seguinte, finalmente devolvi ao Foxx uma jaqueta que estava há meses comigo, desde a primeira viagem minha ao Rio este ano, em fevereiro. Bom que rolou uma baladinha no dia e acabei conhecendo algumas pessoas da República dele aqui em BH. Foi uma noite tudo de bom!

- Durante todo este tempo, não deixei de visitar os blogs dos quais sou fã. Só que, acabei me tornando aquele ser repugnante que visita os blogs, mas não deixa nenhum comentário. Sabe, eu detesto esse tipo de gente! Que raiva! Dá nos nervos!! Dá vontade de... ahm... er... bem... isso ta parecendo uma indireta, né? :-P

- Tenho trabalhado até muito tarde quase todos os dias da semana, o que tem prejudicado muito minha freqüência no futebol semanal da minha turma de colégio e na academia também. Mas decidi que não vou mais deixar isso acontecer e agora, custe o que custar, reservo uma hora por noite para malhar nos três dias da semana predeterminados.

- Meu sócio malha comigo, e tenho feito força pra ele fazer o mesmo também. Teve um dia no escritório que, mesmo cheios de tarefas pra terminar, obriguei-o a dar uma pausa para irmos malhar. Ele foi mesmo sem tênis (malhou de sapato!!!), e depois voltamos para o escritório. Ficamos lá até meia noite e meia.

- Tento não ficar muito no MSM, mas quando chego em casa à noite é uma ótima ferramenta pra entrar em contato com alguns amigos e dar uma relaxada. Dentre os blogueiros nunca falta um bom papo com o Râzi, o , o Oz, o Foxx e, mais recentemente, com o Boy Soccer, um rapaz cujo papo é tão cativante quanto o blog dele.

- Pouco mais de um mês depois de uma delicada cirurgia, minha mãe está de viagem.... pra Europa! É a primeira vez que ela sai do Brasil, já septuagenária. Falei com ela algumas vezes esses dias e está adorando. Espero que aproveite bastante (e traga muitos presentes) por afinal ela merece (e eu também, né?).

- Semana passada tive casamento e aniversário no mesmo dia. É uma bosta quando dois eventos importantes, de amigos de turmas diferentes, são marcados para o mesmo dia. Por sorte, um era bem próximo do outro, e acabou que pude fazer presença nos dois. O ponto negativo foi ter bebido em dobro e ter chamado o Juca quando cheguei trêbado e casa.

- Meu gatinho tem feito algumas visitas surpresas aqui em casa. Detalhe que ele tem a chave daqui, e entra e sai na hora que quiser. Será que ele pensa que estou trazendo gente pra casa? Hehehehe! Não sei se é isso, mas sei que aproveito muito bem cada uma dessas visitas!

- E por falar em namoro, ainda não comprei nada pro dia dos namorados. Nem programei nada. Desleixado eu? Seria melhor, "desleixados NÓS!?". Ah, sei lá. Mas que vai ter comemoração, isso vai ter...

- Quero escrever um conto de ficção. Ou de semi-ficção. Ou um conto "baseado em fatos reais". Sei lá. Só sei que um de meus próximos posts será assim. E farei questão de NÃO FALAR em quais das três categorias acima ele se enquadrará.

Tá vendo? Quase um mês sem postar, e até os drops ficam enormes. Não gosto muito disso, pois sou da teoria de que não imporá o tamanho do post, mas sim o número de comentários que ele proporciona...

O quê? Mais uma indireta? Que indireta?? Eu mandei alguma indireta???? Imagina....
(Aliás, pra que serve este link aí embaixo mesmo? Hehehehe!)

terça-feira, maio 20, 2008

SMS

"Muitissimo obrigado, sinceramente nao sei o que teria feito sem sua ajuda. Voce foi otimo! Fulana"

Foi exatamente desta forma que uma pessoa que me ajuda tanto todos os dias retribuiu a um pequeno favor que lhe fiz hoje (não alterei nem a falta de acentos, típicas das mensagens de SMS, e nem o fato de a Fulana ter escrito "obrigado" ao invés de "obrigada").

Foi coisa boba, que me custou apenas dez minutos de atenção e boa vontade. Dificuldade zero. Mas que pra ela significaram muito!

Impressionante como pequenos atos de atenção podem valer tanto para algumas pessoas. E também como uma singela demonstração de gratidão recompensa de forma tão bacana um gesto desinteressado de ajuda ao próximo.

domingo, fevereiro 03, 2008

Um breve retorno

Nem ainda postei sobre a viagem para o Rio de Janeiro e já estou voltando para a Cidade Marvilhosa. Preciso dizer que adorei a da seman passada? Acho que não, né? E preciso dizer que vamos (eu e meu gatinho) ficar de novo na casa do Ricardo e do Lê? Ganha uma Bala Chita que acertar... Hehehehe!

E olha que não é questão de pão-duragem. É que a recepção foi tão bacana que não tinha como abusar novamente dos meninos (no sentido não-sexual, diga-se de passagem!).

:-P

Tá certo que duas viagens semi-não-planejadas em duas semanas pesam um bocado no orçamento. Mas estamos apenas em fevereiro, e tenho quase um ano inteiro pra ganhar dineiro de novo.

Por agora, vejo apenas que logo estarei devendo (pelo menos) dois posts sobre as avebturas mineiras nos mares cariocas. (tudp bem, eles vão ficar devendo também... KKKKK).

sexta-feira, novembro 30, 2007

Sorria!

Ontem entrei na fase final do meu tratamento ortodôntico. Agora voltaram as indefectíveis borrachinhas, uma de cada lado da boca, só que dessa vez nos dentes mais à frente (e mais visíveis também). Toda vez que eu abro a boca, elas aparecem, como duas melecas amarelas, ligando os dentes de cima aos de baixo.

E, pra ajudar a situação, meu dentista (que também é um grande amigo) ainda vem falando que durante os próximos três meses vou ficar igual ao Mumm-Ra, dos Thundercats!

Pelo menos tenho a promessa de me livrar do aparelho antes do carnaval do ano que vem.

Pois é, pra algumas pessoas, essa coisa de ficar bonito dá um trabalho...

terça-feira, setembro 04, 2007

Cara de palhaço

Não suporto gente que vive reclamando. Do tempo. Da roupa. Da comida. Da vida. Principalmente da vida. Principalmente porque quem reclama da vida é, na maioria das vezes, o tipo de pessoa que não faz nada pra mudar a vida que tem. Nada, a não ser reclamar. O que , de fato, se é capaz de mudar alguma coisa, é apenas para pior. O que dá mais desculpa para reclamação...

E cá estou eu lutando pra não reclamar da minha vida que está melhorando muito. Mas tenho me tornado um insatisfeito comigo próprio. Volto hoje de um período de quinze dias de férias de um dos meus empregos, que tirei para me dedicar a meu escritório e colocar muitas coisas em dia.

Resultado: trabalhei mais do que o habitual, rendi menos do que esperava e não resolvi metade das coisas que esperava resolver neste período. Até porque, sinceramente, acho que não me esforcei tudo o que poderia ter esforçado. Enfim, não foram dias jogados no lixo, de forma alguma. Simplesmente, para mim, não foi satisfatório. E cá estou eu a reclamar...

Pra piorar, ontem aconteceu um episódio no qual me senti muito constrangido perto de uma irmã. Resumindo, há uma amiga mina que, para minha família, é como se fosse minha namorada. Nunca disse isso para eles, mas também nunca barrei esta "esperança". Confesso que algumas vezes até alimentei esta ilusão.

Pois bem, ontem me vi numa situação em que estávamos numa mesa de bar, além de outras duas pessoas: eu, minha irmã, esta amiga e um outro cara (também gay) pagando de homenzinho com esta amiga (abraçando, fazendo carinho, encostando, etc.).

Ficou muito feio pra mim ficar numa mesa em que minha suposta namorada (ou peguete, ou ficante, ou sei lá o que...) estava toda contente e cheia de intimidades com um outro sujeito, e eu com cara de paisagem!

Mas o pior de tudo é a consciência de que, durante muito tempo, eu alimentei esta ilusão aparentemente muito cômoda, mas tanto quanto perigosa. Paguei pelo risco e quebrei a cara. Fiquei com cara de corno, de besta, de otário, e a responsabilidade por isso tudo é minha mesmo, por fomentar uma mentira que me colocou nesta situação ridícula.

Poderia reclamar desta amiga? Não. Ela simplesmente agiu com a naturalidade e a espontaneidade de sempre. Gostaria que ela tivesse percebido a situação e cortado o sujeito, como que para defender a minha situação mesmo. Eu teria agido assim. Fiquei chateado com ela sim. Mas ela não tem obrigação nenhuma de alimentar esta minha mentira e eu não tenho como exigir nada dela também.

Poderia reclamar do sujeito? Não. Aliás, daquele lá (por sinal, o mesmo que mencionei há uns dois posts, que não teve quase ninguém presente no dia do aniversário) não espero nada de bom mesmo, nem tenho amizade para exigir qualquer tipo de colaboração.

Só posso reclamar de mim mesmo, por fomentar esta inverdade que me colocou nesta situação, repito, ridícula e constrangedora. Agora só falta saber se vou mudar de atitude ou vou continuar com tudo na mesma, sem poder fazer muito mais do que simplesmente reclamar.

Por essas e por outras não estou e suportando hoje.

segunda-feira, julho 09, 2007

Presentes e ausentes

Talvez mais tarde eu escreva direito sobre o meu aniversário deste ano. Agora, apenas passo aqui rapidinho para registrar um pensamento que me foi dito no dia seguinte, sobre a presença nos eventos de pessoas de quem gostamos.

Tinha dois casamentos para ir no dia, e me desdobrei para estar nos dois lugares praticamente ao mesmo tempo. Comentando isso com uma grande amiga, ela fez mençao ao dia de seu casamento e disse:

"Faça isso mesmo, mão deixe de ir a nenhum dos dois. Pois, no final das contas, não importa o tempo que passe, a sempre se lembra de quem veio e, principalmente, de quem não apareceu"

A frase ficou ainda mais marcante após saber hoje de umas conversas tortas espalhadas por aí por gente invejosa. Daí se explica porque em alguns eventos o problema é falta de cadeiras e, em outros, falta de pessoas.

Em meu aniversário o estresse foi de arrumar lugar para as pessoas que chegavam, sendo que as faltas, prontamente notadas, mas não foram comemoradas, pois se estas pessas queridas tivessem aparecido, este "coração de mãe" aqui conseguiria (como sempre consegue) um espacinho a mais.

Já em outro, há pouco tempo, a figura teve que se contentar com apenas duas almas para dar parabéns de corpo presente, entre elas, a de uma hóspede que obviamente não poderia deixar de acompanhar o anfitrião. No mais, foi um festival de desculpas e mensagens de "não vou poder comparecer..." no barzinho uó da "comemoração".

No que depender de mim, se a hóspede sem sal não aparecer de novo ano que vem, a figura corre sério risco de ter de cantar parabéns para si mesma. Não expresso aqui o que desejo, mas simplesmente o que percebo. Nem se trata de vingança. É apenas questão de colheita.

Por essas e por outras que tenho rezado. Muito!

sexta-feira, junho 15, 2007

Regadinha

Diálogo esta semana na academia, com um conhecido que também é do babado:
- E o carinha novo que você estava com ele? Encontraram no dia dos namorados?
- Que nada... A coisa esfriou. Nem vi mais.
- Como assim? Vocês num estavam no maior love?
- Pois é. No feriado ele ficou direto lá em casa. Eu passei o final de semana inteiro na casa dele.
- E então...
- Bem, desde segunda ele não me liga. E eu não ligo pra ele também. Então, ficou assim mesmo...
- ?????
Nisso eu já tava com cara dúvida, quando ele concluiu com sua explicação com a seguinte pérola:
- Eu é que não vou gastar meus créditos ligando pra ele!

Deus do céu! Como é que uma pessoa deixa morrer assim um começo de rolo, que poderia evoluir pra namoro, ou algo mais... Nem que fosse uma amizade mesmo. Aliás, uma pessoa não. Duas pessoas. Pois qualquer um que demonstrasse um pouco de interesse poderia ligar para o outro e acabar com essa situação. Na minha opinião, ou é um caso de desinteresse mútuo colossal, ou um caso de enorme orgulho besta que acaba de forma infantil com uma coisa que poderia ser bem bacana. Ou os dois casos juntos!

Penso que uma relação é como uma plantinha que tem que ser regada, tratada, cuidada. Confesso que nunca fui muito bom em cuidar de plantas, mas sempre me esforcei em cuidar dos meus relacionamentos. Talvez por isso, ao contrário do meu conhecido, passei o dia dos namorados (ou melhor, a noite do dia dos) ao lado do meu gatinho lindo.

A noite só não foi do jeito que estava planejado porque ele passou mal o dia inteiro, com algum tipo de infecção intestinal, ou algo parecido. Teve até que ir para o hospital, tomar soro, plasil e tudo mais. Por isso não pudemos ter uma comemoração um pouco mais.... er... digamos... animada! Ainda assim, só a presença dele aqui em casa, junto ao meu lado, foi o bastante para nos tornar dois caras extremamente felizes realizados.

Por falar em relacionamentos, venho aqui dar uma regadinha no blog, pra não deixar que este espaço, e as grandes amizades que cultivo através dele, sofram de inanição.

domingo, abril 15, 2007

Uma noite com meu amigo hetero

Sexta-feira meu amigo de Brasília esteve em BH e me chamou pra tomar uma cerveja e colocar o papo em dia, afinal ele não aparecia aqui há quatro meses. Foi um encontro bacana, falamos sobre muitas coisas, família, trabalho, planos futuros, relacionamentos.

Percebo que ele realmente faz um certo esforço para compreender de verdade a minha “nova vida”. Pergunta sobre namorados e coisas assim. Disse-me que agora virei seu consultor para “esses assuntos” e me perguntou minha opinião sobre alguns amigos das antigas – se ele são gays ou não.

Mostrou-se meio inconformado sobre o caso de um colega nosso de faculdade que namora uma garota há anos, mas que ele tem fortes suspeitas de que seja homossexual. (Bem, eu, além de fortes suspeitas, tenho informações confiáveis de que ele, pelo menos, já experimentou o babado.) Tive que explicar uma série de coisas sobre fases da aceitação própria para mostrar-lhe que nosso colega pode não estar sendo tão canalha assim, mas talvez ele tenha tesão por homens mas, ainda assim, goste de verdade da garota. Ou seja, talvez ele nem saiba direito o que quer da vida... (Aliás, conheço alguns outros casos assim. Este é um assunto que merece um post inteiro só sobre o tema!)

A cada nova informação recebida, ele se mostrava um pouco mais surpreso sobre com o mundo gay está tão próximo da vida “normal” mas pouca gente se dá conta. Mas, mais impactante que qualquer lição teórica foi uma (não planejada) lição prática!

Depois de umas biritas fomos pegar uma amiga pra sair pra dançar. Rodamos, rodamos, rodamos, e paramos... numa boate gay! Um tipo de local que ele nunca tinha ido e que também não tinha se programado para conhecer naquela noite. Tá certo que o fato de ele estar “protegido” pela nossa amiga (hetero também) facilitou as coisas, mas ele realmente ficou “de cara” com algumas cenas que viu. Compreendo muito bem, pois até eu, que sou gay, me assutei quando entrei pela primeira vez num lugar em que casais de dois homens ou duas mulheres são a regra, e não a exceção. (Melhor nem mencionar as variações possíveis de trios, né???)

Para os que nutriram uma certa expectativa (especialmente por conta do título do post), lá vem o balde de água fria: ele não ficou com nenhum cara não, viu? Muito menos comigo! Só pra lembrar, o cara é hetero, ok? Sorry, guys! Hehehe!

No final das contas, foi uma baladinha muito legal, na qual pudemos reforçar uma relação de amizade que o tempo e a distância não abalam. Se os amigos são os irmãos que a gente escolhe, este cara é como se fosse um siamês para mim.
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