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sábado, março 14, 2009

Atualizando

Caramba, tanto tempo sem postar... Várias vezes pensei em sentar na frente do computador e escrever, mas a falta de história, ou de tempo, ou de ânimo (ou mais de maus de um desses fatores simultaneamente) me levaram a deixar passar tanto tempo. Mas com o acúmulo de coisas para postas, mesmo que seja simplesmente para citar, segue uma edição especial de atualização dos acontecimentos das últimas semanas.

Passei o Carnaval no Rio de Janeiro, mais uma vez hospedado generosa e carinhosamente na casa de Râzi e Lê. Pra mim foi como uma despedida daquele espaço, já que em breve o Casal 20 mudará de ares. Revi minha afilhada linda, fina e esperta, desta vez já adaptada à conviência com os irmãos mais velhos. Peguei sol, pulei carnaval, comprei sunga nova e encontrei metade do mundinho gay de BH na Praia de Ipanema (e imediações). Ah, e trabalhei também! Afinal, pra poder emendar a semana toda até o final de semana seguinte ao Carnaval, tive que passar alguns dias de sol na frente do computador, mesmo longe (fisicamente) do escritório.

De volta a BH, enfim a sensação de que o ano realmente começa após a folia. Tive uma segunda-feira monstro após dormir pouco na chegada a BH. Tive também a confirmação da minha entrada na pós-graduação, que começará na próxima segunda-feira, e acarretará uma série de mudanças na minha rotina. Dentre elas, mudança na minha academia, e certamente de horário para malhar.

No plano familiar, meu pai passou por um procedimento cirúrgico leve, mas ainda está se recuperando. Ontem foi niver da minha mãe. Tenho mantido a média de uma visita à casa deles por semana, normalmente nos findis. Além de aparições esporádicas. Graças a Deus, as coisas por lá parecem estar bastante tranquilas.

Falando em niver, há uma semana fui ao aniversário de um amigo meu “das antigas”. Todos se surpreenderam com minha presença, pois afinal meu contato com a turma fou quase nulo nos últimos anos. Sentia muita falta deles, e uma certa culpa por meu afastamento “voluntário”, que se mostrou necessário quando comecei a “viver minha nova vida”. E como pode ser, ao mesmo tempo, gratificante e frustrante quando uma pessoa muito querida vira pra você e diz, na lata: “você sabe que durante muito tempo você foi meu melhor amigo, né?”!!!

Financeiramente, o ano começou complicado. Alguns clientes simplesmente estão dando o cano no escritório. Crise? Não sei ao certo, mas meu ramo de atividades é conhecido pela instabilidade. E a maré atual não está das melhores. Some-se a isso que hoje tivemos que dispensar um estagiário nosso, pois soubemos que ele acabou levando um plano de ação que tinha nos apresentado para outro profissional, sem nem nos consultar antes. Bom, se ele já estava com vontade de se aventurar sozinho no mercado, simplesmente adiantamos seu planejamento. Mas a sensação de facada nas costas é bastante ruim.

No plano sentimental, diria estar em verdadeiro compasso de espera. Desde o término do meu namoro fixei a disposição de não iniciar nenhum compromisso sério pelo menos até o Carnaval. Bem, o Carnaval passou, alguns de meus planos simplesmente não se concretizaram. Parece que vou esticar essa meta até a Semana Santa, ou até o feriado de Tiradentes. Mas não posso garantir nada, pois o tempo passa e a vida sempre acaba por nos apontar caminhos e nos exigir muitas escolhas.

Por fim quero agradecer aos leitores do blog que não deixaram de visitar este espaço, mesmo em tempos de poucas palavras. Em especial àqueles que (recentemente, ou já há algum tempo) concederam uns selos bem bacanas.


Selo Dardos – concedido por Anjinho Carioca, Os Menino do Blog e J.M..

Selo Agasalho para Alma– concedido por Paulo Braccini.

Quebrando as regras destes selos, não vou indicar ninguém para recebe-los. Especialmente porque praticamente todos os blogs que pensei em indicar já receberam a honraria.

Bom, agora é só passar um pano úmido pra tirar a poeira e tentar inicial uma manutenção regular no espaço aqui.

Feliz ano novo!

quinta-feira, setembro 25, 2008

O "meio" e o ambiente


"Você freqüenta o meio?"

Lembro-me do meu início na vida gay, quando eu sequer tinha certeza do que gostava ou deixava de gostar, mas dispunha-me a experimentar o contato íntimo com outros homens. Nas conversas em chats na internet, ou no msm, a indagação sobre o "meio", muito comum entre os iniciantes e os enrustidos (e no meu caso eu era ambos), aparecia tanto quanto o famigerado "Você é A ou P?".

Durante muito tempo, relutei em ir a lugares gays, especialmente por medo de ser reconhecido. Também a atmosfera de alguns deles, muito sombria e erotizada, não me trazia uma energia boa. Questionava-me por que tais lugares tinham que ser, ao mesmo tempo, locais para esconder o rosto das pessoas "lá de fora" e pra expor o corpo pras pessoas "lá de dentro". Por essas e outras, muitas pessoas valorizam os que não "freqüentam o meio" quase tanto quanto aquelas que são "discretos" e "não afeminados". No fundo, parece que o contato com outros gays ganha um aspecto "contagioso", que a afetação é transmitida pelo toque, ou pelo ar, ou que homossexuais são classificados pelos seus próprios pares em categorias que chamaria de, digamos... "graus de viadagem".

Minha introdução no "meio" se deu de forma lenta, gradual e irreversível. Aos poucos, fui conhecendo lugares novos. Percebi que só se embrenha na escuridão e na promiscuidade quem deseja. Identifiquei locais bacanas, abertos, iluminados, cheios de saúde e vida. Principalmente, vi-me em alguns ambientes em que me senti à vontade, podendo ver e ser visto sem medo de qualquer represália. Isso tudo sem me agredir, sem mudar meu jeito de ser, agir ou pensar.

Acontece que, nas últimas semanas, até mesmo pelo recente final de meu namoro, acabei por um movimento "natural" restabelecendo contatos com amigos "das antigas", dos tempos de colégio e faculdade. Coincidiu ainda de, em dois finais de semanas seguidos, eu comparecer a três casamentos e um churrasco, todos com turmas de amigos heteros, que não sabem (e nem se mostram interessados em saber) sobre minha sexualidade.

No entanto, impossível não registrar que ao lado da alegria dos reencontros com várias pessoas queridas, com as quais meu contato havia rareado, estes eventos também me trouxeram momentos de um certo incômodo.

Era chato ser o único desacompanhado no meio de vários casais.
Era chato perceber que eu fui um dos únicos que recebeu apenas um "convitinho" pra festa, ao invés de dois.
Era chato ver que, ao final da noite, os poucos solteiros sempre tratavam de abordar e mulheres do local, quase sempre com sucesso (ah, no meu tempo de hetero as mulheres nunca davam esse mole todo!).
Era chato perceber que as mulheres no local não me interessavam, e que mesmo pelos próprios homens eu não me empolgava.
Era chato me sentir quase um ser assexuado.

Nestas situações, por mais que me encontrasse entre amigos, e por mais que percebesse que não havia qualquer pressão ou expectativa sobre minha pessoa, era fato que eu me sentia "sem ambiente". Tal como uma pessoa que se sente incomodada quando não tem o hábito de usar gravata e é obrigada a vestir num evento especial. Ou uma pessoa que coloca um sapato novo e caminha a tarde inteira com o calçado apertando o calcanhar. Só que meu incômodo era na alma. De alguma forma me sentia tolhido em parte importante da minha integridade. Não consegui agir em plena liberdade.

Por essas e outras que após um dos casamentos não hesitei em sair no final da festa e ir diretamente para uma boate gay daqui da cidade. Lá, mesmo estando sozinho, me senti liberto de minhas próprias amarras. E a sensação de liberdade da alma que vivenciei me mostrou que, mesmo com todas as ressalvas que eu ainda pudesse ter ao "meio", certamente aquele era muito mais o meu ambiente.

domingo, abril 15, 2007

Uma noite com meu amigo hetero

Sexta-feira meu amigo de Brasília esteve em BH e me chamou pra tomar uma cerveja e colocar o papo em dia, afinal ele não aparecia aqui há quatro meses. Foi um encontro bacana, falamos sobre muitas coisas, família, trabalho, planos futuros, relacionamentos.

Percebo que ele realmente faz um certo esforço para compreender de verdade a minha “nova vida”. Pergunta sobre namorados e coisas assim. Disse-me que agora virei seu consultor para “esses assuntos” e me perguntou minha opinião sobre alguns amigos das antigas – se ele são gays ou não.

Mostrou-se meio inconformado sobre o caso de um colega nosso de faculdade que namora uma garota há anos, mas que ele tem fortes suspeitas de que seja homossexual. (Bem, eu, além de fortes suspeitas, tenho informações confiáveis de que ele, pelo menos, já experimentou o babado.) Tive que explicar uma série de coisas sobre fases da aceitação própria para mostrar-lhe que nosso colega pode não estar sendo tão canalha assim, mas talvez ele tenha tesão por homens mas, ainda assim, goste de verdade da garota. Ou seja, talvez ele nem saiba direito o que quer da vida... (Aliás, conheço alguns outros casos assim. Este é um assunto que merece um post inteiro só sobre o tema!)

A cada nova informação recebida, ele se mostrava um pouco mais surpreso sobre com o mundo gay está tão próximo da vida “normal” mas pouca gente se dá conta. Mas, mais impactante que qualquer lição teórica foi uma (não planejada) lição prática!

Depois de umas biritas fomos pegar uma amiga pra sair pra dançar. Rodamos, rodamos, rodamos, e paramos... numa boate gay! Um tipo de local que ele nunca tinha ido e que também não tinha se programado para conhecer naquela noite. Tá certo que o fato de ele estar “protegido” pela nossa amiga (hetero também) facilitou as coisas, mas ele realmente ficou “de cara” com algumas cenas que viu. Compreendo muito bem, pois até eu, que sou gay, me assutei quando entrei pela primeira vez num lugar em que casais de dois homens ou duas mulheres são a regra, e não a exceção. (Melhor nem mencionar as variações possíveis de trios, né???)

Para os que nutriram uma certa expectativa (especialmente por conta do título do post), lá vem o balde de água fria: ele não ficou com nenhum cara não, viu? Muito menos comigo! Só pra lembrar, o cara é hetero, ok? Sorry, guys! Hehehe!

No final das contas, foi uma baladinha muito legal, na qual pudemos reforçar uma relação de amizade que o tempo e a distância não abalam. Se os amigos são os irmãos que a gente escolhe, este cara é como se fosse um siamês para mim.
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