Analitics

domingo, janeiro 06, 2008

Brinquedinho novo

Ano passado, meu auto-concedido presente de natal foi uma câmera digital. Este ano rolou de comprar um brinquedinho um pouco mais incrementado. Logo abaixo, umas fotos do novo queridinho do papai.



Aliás, este é o primeiro post que escrevo e envio através dele.

segunda-feira, dezembro 31, 2007

Post de final de ano de 2007

No mais, 2006 foi basicamente um ano de avanços em muitos aspectos. Mas ainda não foi o ano de deslanchar também. Sinto que, cedo ou tarde, "a minha hora vai chegar". Que seja em 2007, se Deus quiser!

Com estas frases eu terminei o meu post de final de ano, ainda no blog antigo, em 29 de dezembro de 2006. De lá para cá, importantes mudanças aconteceram na minha vida. Sem sombra de dúvidas, a mais importante foi a mudança para o novo apartamento. Sair do aluguel foi meu maior passo para virar gente grande em 2007.

Tudo bem, ainda falta quitar o financiamento, mas espero fazê-lo em, no máximo, dois anos. A conquista da casa própria, mais que uma realização pessoal, é um marco evidente de sucesso para o mundo exterior. Impõe respeito, gera admiração e atrai até inveja (mas esta última a gente não deixa pegar).

No trabalho, importantes progressos, mas ainda há um amargo gosto de "quase" na garganta. Avançamos um bocado, mas não deslanchamos... ainda! Só que está cada dia mais perto de acontecer, e é bem possível que neste ano aconteça um temido e esperado “breaking point” na minha carreira. Vamos ver se dessa vez o foguete decola.

Na família, resta a sensação de que muito se especulou mas pouco se realizou. Apenas agradeço por ter todos bem de saúde e, apesar dos pesares, estarmos próximos e unidos. Se eu tenho alguns créditos com o pessoal lá do “outro lado”, troco todas as possíveis vantagens pessoais pelo bem estar deles, principalmente dos meus pais.

No coração, o ano começou agitado, com gente achando que podia cobrar muito da minha vida (aff..!). Seguiu com momentos de galinhagem explícita, com seu ápice no meu primeiro carnaval solteiro depois de três anos, bem no Rio de Janeiro (ÊÊÊbbaaaa!!!!!). Agora, engato dez meses de namoro com um cara fora de série, numa sintonia igualmente ímpar. Nada de contos de fadas. Este é um relacionamento mais palpável, mais pé no chão, mais cheio de defeitos e qualidades. E com muitos, muitos fluidos trocados!!!

Como sempre acontece nesta época do ano, os últimos dias têm sido de bastante reflexão sobre os rumos da minha vida. Têm se destacado alguns momentos de isolamento voluntário e os questionamentos sobre se estou dedicando muita atenção a quem pouco me valoriza de verdade, e estou deixando de lado pessoas que mereceriam mais de mim – principalmente da minha família. Será um presságio da famosa “crise dos 30”?

Ano que vem eu descubro.

E pra finalizar, a "Receita de Ano Novo" de Carlos Drommond de Andrade, na voz de Lima Duarte, em comercial da EPTV.

sábado, dezembro 15, 2007

Breakfast



Acordar sozinho aos sábados era algo diferente para ele. Via de regra, as noites de sexta-feira eram passadas com o namorado. Até porque o namorado, que mora do outro lado da cidade, trabalhava sábado de manhã num local perto de sua casa. Então, as noites de sexta-feira em sua residência sempre uniam o útil ao agradável... literalmente. Só não gostava do fato de que, nos sábados em que não trabalhasse pela manhã, o namorado não dormia com ele às sextas. E, nessas horas, começava a se questionar se, para no namorado, o que lhe importava mais seria o útil ou o agradável. Um tipo de pensamento que não era nada agradável. Mas como por muito gostar, por muito querer, por pensar amar... evitava esse tipo de questionamentos.


Naquele sábado, porém, sentiu sua falta ao seu lado na hora de acordar. Sentiu falta de irem à padaria e comprarem o pão quentinho. Sentiu falta do seu café, do qual nunca abria mão. Sentiu falta de namorar de manhã, antes de ele ir para o trabalho. E por não ter talento, nem vontade, de refazer a rotina sozinho, preferiu fazer o desjejum na rua mesmo.


Foi a um café, que normalmente freqüentava à noite, em happy hours com os amigos de trabalho. Há muito queria ir lá pela manha, conhecer as novidades do cardápio, sempre com opções de muito bom gosto. Trouxe para sua mesa um jornal, a fim de ter algo interessante pra ler enquanto não chegava o seu pedido.


Pediu uma cesta de pães, com duas ciabatas e um croissant. Para acompanhar, uma pasta de azeitona e presunto e outra de tomate seco. Para beber, um café especial, com chocolate derretido nas bordas. Sobre a espuma clara, um usual desenho de folhas sobre o café e, para sua surpresa, um desejo de "bom dia" escrito pela barista, tudo feito com calda de chocolate. Sorriu, achando graça naquilo, e quase ficou com pena de estragar o mimo matinal enfiando a colherona xícara adentro.


Seus olhos fitavam ora o café, ora o croassant, ora o jornal, ora a ciabata. Enquanto isso, outros olhos o fitavam, duas mesas à frente. Era um rapaz bonito. Aparentava ter pouco menos que sua idade... uns três anos no máximo. Tomava o seu café ouvindo algo em seu iPod de fones brancos nos ouvidos. A barba rala se destacava na pele clara do rosto. E tinha olhos pequenos, provavelmente castanhos. E tinha um olhar que, vez por outra, pareciam tentar roubar a atenção daqueles que transitavam entre o jornal e a cesta de pães.


O rapazinho já estava lá quando ele chegou e não foi à toa que escolhera aquela mesa para fazer o seu pedido. Aliás, todas as vezes que chegava a algum local, sempre que procurava algum lugar para se instalar, tentava achar uma posição que lhe garantisse uma boa visão. Na hora da refeição, que mal haveria em alimentar também os olhos? Pois ao chegar ao café já tinha notado aquele rapaz vestido com a camisa de um time de futebol. Aliás, era a camisa do time rival ao seu, mas, mesmo assim, não poderia negar que homens com camisa de time de futebol – qualquer que seja – ganham um charme a mais. Usava ainda uma bermuda cargo e sandálias de quem também foi tomar café fora de casa pra não ter trabalho sábado de manhã.


Sentou-se naquele lugar sabendo que teria uma visão interessante para acompanhar o seu café. Não sabia que teria olhares te observando de volta. Quando percebeu, entre uma gole e outro de café, os sorrisos tímidos em sua direção, assustou-se... e animou-se também. Um tempero inesperado e gostoso para sua manhã.


Mas enquanto ele começava a sua refeição, o rapazinho já estava no meio da dele. E enquanto o rapazinho terminava o seu café, parecia incomodado pelo descompasso entre o timing das duas mesas. O rapazinho, sempre discretamente, fez um leve sinal com a cabeça, como que a indicar a saída. Ele percebeu e mostrou ter captado a mensagem. Mesmo assim, manteve-se entre suas guloseimas - aliás, deliciosas guloseimas matinais. O rapazinho levantou-se e, ao invés de sair diretamente, parou para ver os outros jornais disponíveis para leitura no local, próximo ao caixa. E por ali ficou, o tempo necessário.


Ele terminou o seu café, fechou o seu jornal e foi devolvê-lo ao local adequado, justo onde estava o rapazinho. Chegaram ao caixa juntos. Pagaram as respectivas contas. Logo estavam ambos na rua, na porta do café. E seguiram na mesma direção, sem trocar palavras. Ele resolveu reparar melhor o rapazinho e, assim, mais de perto, lhe pareceu ainda mais interessante. Andaram próximos por alguns metros. Estavam lado a lado. E, como não estavam mais frente a frente, uma nova troca de olhares precisaria ser menos “casual” que aquelas de dentro do café. Uma nova troca de olhares seria como um passo à frente, um abrir de portas, um sinal que ultrapassaria o mero acaso e serviria de confissão – ou de convite. Por mais que estivesse clara, para ambos, toda a comunicação não verbal ocorrida até então, uma nova troca de olhares significaria uma iniciativa... que não aconteceu.


Na esquina seguinte, cada um seguiu por um caminho diferente. Ele ainda pôde ver o rapazinho entrando num prédio, que deveria ser o de sua casa. Fez questão de reparar onde era e gostou de pensar que moravam próximos um do outro – quem sabe não voltariam a se ver algumas outras vezes?


Pensou num tipo de reclamação que já ouvira várias vezes de alguns amigos, que vivem se queixando de não encontrar ninguém bacana. Amigos que sonham conhecer uma pessoa fora de qualquer local segmentado, como na boate GLS, no bar GLS, na pegação GLS, ou coisa parecida GLS. Querem conhecer na fila do cinema, nos corredores do supermercado ou, quem sabe, num café pela manhã. Bem, o rapazinho pareceu ser um desses caras dos sonhos desses amigos – que um dia foram seus sonhos também – se materializando pra pessoa errada, ou na hora errada.


E continuou seu caminho sozinho e satisfeito. Satisfeito com o café, as ciabatas, o croissant e o rapazinho – este último o tempero perfeito para uma manhã que se prometia um tanto melancólica. E, mais ainda, o tempero na dose certa, pois este flerte inofensivo (sem atos concretos nem promessas futuras) é o máximo que se permitiria sendo um homem comprometido.


Foi para casa certo de que, se pudesse voltar no tempo, não mudaria o desfecho deste episódio. Até porque, no final daquela mesma manhã, ficou feliz por receber a visita do namorado, e por namorarem intensamente antes de almoçarem juntos.

sexta-feira, dezembro 07, 2007

Curtas III

Sexta à noite, final de expediente no escritório, cabeça cançada, semada fudidamente estressante e pouco produtiva. Hora de parar e escrever umas notas curtas no blog, só pra não deixar de atualizar.

--> Fim de novela: fiz a minha mudança no último final de semana e já estou dormindo no apê novo. Mas ainda tem umas coisas no apê antigo, que espero tirar este fim de semana, pra poder entregar.


--> Semana de semi-gelo no namoro: é foda ser o único que liga, que procura, que corre atrás... Falta de crédito não é desculpa, pois já sucumbi à prática do “toquinho”, que logo eu ligo de volta. Mas as coisas melhoraram nos últimos dias e o fim de semana ta aí pra esquentar tudo de novo.


--> PARABÉNS FOXX!!!!!! Fiquei muito feliz com sua aprovação. E fiquei lisonjeado com a menção feita no seu blog. Peço desculpas por não ter sido o melhor dos anfitriões. Mas, com você morando em BH, a gente pode planejar as coisas direito desta vez, né?


--> Tô estressando com meu cabelo: já devia ter aprendido que cabelo ruim não merece reiteradas tentativas de crescimento. Já tinha estipulado de insistir até o final do ano, pra ver no que daria. Bem, o ano ta chegando ao fim, e é possível que eu entre em 2008 com um corte praticamente militar.


--> Malhação: aumentei a freqüência para quatro vezes na semana e comecei uma ficha de hipertrofia. Após os treinos, Whey Protein pra ajudar a crescer. Quando chegar no ponto, vou querer é começar a secar.





--> Férias: a cada dia eu vejo que preciso urgentemente tirar umas. Ou duas. Ou três. Ou...




PS.: Este post quase foi pro espaço porque tem uma puta chuva lá fora e rolou um pique de luz, reinicializando o computador. Se não fosse a recuperação automática do Word, este blog poderia ficar mais uma semana sem atualização.

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UPDATE SÁBADO FINAL DE TARDE
--> Noite de sexta e manhã de sábado ótimas acabam com qualquer gelo no namoro.
--> Já o cabelo grande dançou mesmo. Quer saber? Curtinho ficou bemmelhor!

sexta-feira, novembro 30, 2007

Sorria!

Ontem entrei na fase final do meu tratamento ortodôntico. Agora voltaram as indefectíveis borrachinhas, uma de cada lado da boca, só que dessa vez nos dentes mais à frente (e mais visíveis também). Toda vez que eu abro a boca, elas aparecem, como duas melecas amarelas, ligando os dentes de cima aos de baixo.

E, pra ajudar a situação, meu dentista (que também é um grande amigo) ainda vem falando que durante os próximos três meses vou ficar igual ao Mumm-Ra, dos Thundercats!

Pelo menos tenho a promessa de me livrar do aparelho antes do carnaval do ano que vem.

Pois é, pra algumas pessoas, essa coisa de ficar bonito dá um trabalho...

sexta-feira, novembro 23, 2007

Work out

O que fazer quando o seu namorado coloca em você o carinhoso apelido de "bolinha gorda"? Eis a questão!

Tenho certeza de que, a esa altura, muitos dos leitores já devem ter pensado em várias alternativas. Muias delas passaram pela minha também. Algumas já estão descritas no Código Penal, mas não quero cometer nenhum crime, por enquanto. Também penso em conservar meus pulsos intactos, até porque precisaria de uma faca bem afiada e um corte bem profundo até alcançar umas veias bacanas.

Optei por pegar uma grana extra que recebi no mês passado e contratar umas aulas de personal, três vezes por semana. Tudo bem que apenas 16 treinos nãpo são capzes de fazer nenhum milagre, mas foram suficientes para redizir meu percentual de gordura de 21% paa 19%, com boa perda de gordura e ganho de massa magra.

Modestamente, acho que já é um bom começo.

Obs.: Nem precisa falar que o cara da foto não ou eu, né? Na verdade, eu não cheguei nem perto do "antes" nem do "depois" dele.

sábado, novembro 17, 2007

As time goes by...

Quando finalmenmte resolvo colocar a mão na massa e ajustar algumas coisas da mudança para o apartamento novo, vejo que remexer em velhas gavetas pode nos guiar para viagens no tempo. Por pouco não mandei para o lixo, sem ver, um texto que escrevi há mais de quatro anos, num momento de fossa profunda, mas do qual eu nem me lembrava de ter rabiscado.

Foi escrito após um pé na bunda que levei do primeiro homem por quem eu me envolvi emocionalmente. Eu realmente estava sem chão na época (muito embora eu tenha pintado a situaçao em cores mais intensas que as da realidade).

Como na época eu ainda era muito neurado, e talvez por medo de que alguém o lesse inadvertidamente, dei à personagem central o nome de uma garota por quem eu tinha sido apaixonado na faculdade, no tempo em que eu (achava que) era hétero.

Deu até vontade de fazer umas pequenas alterações no texto, mas prefiro transcrevê-lo exatamente como eu o reencontrei. Tenho algumas escritas como registros históricos e alterá-las seria como deturpar uma retrato antigo. Ainda mais porque o olhar diferente do "futuro" já nos faz enxergar muita coisa que não víamos no "passado" sem precisar alterar a fonte.

Interesante é notar como essa pessoa, que já foi protagonista da minha história, atualmente não faz nem figuração na minha vida. Mas, enfim, como recordar é viver, achei que seria interessante postar o texto aqui, para que ele não corra de novo o risco de ir pro lixo inadvertidamente.


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Eclipse

(06/05/2003)

Lar, triste lar. Aqui estou eu para aumentar o seu vazio. Parece que as coisas nunca mudam por aqui. Não importa se eu saio de casa logo cedo, faço um monte de coisas na rua. É só voltar e ver que tudo está do mesmo jeito. Os papéis desarrumados rigorosamente na mesma ordem. A camisa de anteontem debaixo da camisa de ontem, que vai ficar debaixo da de hoje. Os CD’s nas mesmas caixas trocadas. È claro. Não dava pra eu querer que, num passe de mágica, eles resolvessem sair voando e entrando cada um em seu devido lugar. As coisas não acontecem num passe de mágica.

Me lembro que Lígia era o sol. Mas não apenas numa acepção puramente romântica. “Você é meu sol.” Não. Dá pra fazer uma análise minuciosa sobre Lígia-sol. Antes de mais nada, ela era o coentro de tudo. Todas as decisões vinham dela. Trocar de vídeo ou comprar um DVD? Comida mexicana ou japonesa? Papai-e-mamãe ou Jô Soares? Ela centralizava tudo. “Você tem mais com que se ocupar. Cuide do seu trabalho que eu cuido da casa.” E chamava para si todos os afazeres. Concentrava tudo. E eu só me concentrava nela, me desconcentrando de todo o resto. Centro das minhas atenções, dos meus pensamentos, da minha razão.

Ela era o sol também que iluminava. Um brilho forte, capaz de ofuscar. “Abra seus olhos; estão te passando a perna.” E não é que estavam mesmo? “Você não pode continuar assim desse jeito, sem cuidado. Já olhou seu colesterol?” Estava a ponto de ter um ataque cardíaco e nem sabia. Só ela mesmo pra enxergar meu coração sofrido por detrás de tanta gordura. “Você precisa de férias. Anda muito tenso. Peça um atestado para aquele seu amigo médico. Uma semana.” Fomos para Salvador. Ela queria ver o mar. Eu só queria vê-la brilhar ainda mais. Ver aquele sorriso aberto, os olhos em brasa, a pele radiante.

Lígia era quente. Ela era o sol mais uma vez porque me aquecia. Quando estávamos juntos não havia inverno, não havia sombras, não havia frio. Éramos um. Seu corpo era uma fonte inesgotável de energia, Seu toque era capaz de incendiar. Aquela mãozinha pequena... quanta força! E os lábios? Me transportavam para outra dimensão. Para um mundo só nosso. Onde tudo acontecia ao nosso bel prazer. Ah, quanto prazer. E que tudo mais fosse pro inferno. Pois o inferno não podia ser mais quente que nossa cama, que nosso sexo. Não podia ser mais quente que o sol. E o sol é Lígia. Meu sol. Meu calor. Minha luz. Meu centro de gravidade.

Acabou. Um eclipse permanente. Ela se foi. E eu perdi o rumo, perdi o norte, perdi a orientação. Como posso prosseguir se não vejo mais o caminho? Para onde ir se não há mais direção? Se ela ao menos tivesse me deixado um manual de instruções: “Como viver a sua própria vida sem mim”, talvez fosse mais fácil. De todo jeito continuaria sendo ela, mesmo que à distância. Controle remoto. Mas nem isso...

Hoje sobrevivo por inércia. Quer pasar por mim, que passe. É inanimado? Pois que fique onde está. E me deixe no meu crescimento vegetativo. Como aquelas algas subaquáticas que sobrevivem sem a energia solar. Deixo tudo como está. Não quero mudar. Não tem mais porquê. Vou deixar meus cacos espalhados pelos cantos escuros, onde já não há mais luz.

Agora vou dormir. E quando acordar, as coisas estarão no mesmo lugar. A única coisa diferente vai ser o dia. Ou melhor, a data. Os dias têm sido sempre iguais. Eles não mudam. Nada muda. E não mudo. Continuo fugindo da vida. Parado, aqui, no mesmo lugar. Esperando por um passe de mágica. Esperando o sol nascer. De novo.

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Pra combinar com o texto, vai o Youtube abaixo, involuntariamente sugerido pelo Ricardo.



quarta-feira, outubro 17, 2007

Eu mereço!

Eu estou com uma mega espinha na ponta do nariz.
Daquelas dignas de propaganda de acnase.
Bem, até dá pra suportar a vontade de coçar o pequeno vulcão o tempo inteiro.
Já me acostumei com a idéia de ter que esperar uns três dias pra começar a secar e melhorar.
Tinha até me preparado pra zoações, do tipo “nariz de palhaço”, ou coisas assim.
Mas ser chamado de “Rudolph, a Rena do Nariz Vermelho” pelo meu sócio foi um pouco demais pra minha pessoa!
Humpf!

domingo, setembro 09, 2007

Verdades e mentiras

Sobre a situação do post anterior, eu conversei com a minha amiga e a lesada nem tinha percebido a saia justa em que ela tinha me colocado. Disse que percebeu que eu estava puto no dia, mas achou que era só crise de ciúmes da amizade dela com a outra bicha, que estava pagando de homenzinho naquele dia, com abraços, beijinhos, etc.

Só depois da conversa que a ficha dela caiu, mas agora já é tarde, né? Para utilizar uma expressão de uma amiga dela, esclareci que o que ela fez me deixou “feio igual dragão”. Mas, tudo bem, bola pra frente, pois a vida continua.

Por falar em vida, nesta mesma semana fiz uma boa ação: fui doar sangue. E não foi pra ninguém em especial, mas sim como doador voluntário. Só não olhei em nenhum instante para a agulha, pois esse tipo de objeto penetrando o meu ser não me atrai em nada.

Menti descaradamente na entrevista anterior para não ser barrado. “Você já teve experiências sexuais com homens?” “Nãããããããooooooo!!!!” Menti sim, e para doar sangue mentirei quantas vezes forem necessárias. Tenho consciência das minhas práticas e faço exames todo semestre pelo Projeto Horizonte, então tenho certeza de que está tudo OK. Não sou irresponsável de querer arriscar a vida de alguém pelo que poderia ser um mero capricho meu. Não é o caso.

Engraçado que após a situação do post anterior poderia muito bem extrair uma “lição de moral”, do tipo “a mentira não vale a pena e a verdade é sempre o melhor caminho”. A situação da doação de sangue vem logo em seguida, para desmentir isso. Não que eu vá pregar a mentira como filosofia de vida, ou abraçar a máxima de que os fins justificam os meios. Não é nada disso.

Mas sou um ser humano cheio de falhas e defeitos como qualquer outro. Sempre tive um grande problema com minha imagem, o que é, na verdade, a razão de boa parte da minha terapia. Sempre fiz de tudo para ser certinho e “de tudo e mais um pouco” para parecer mais certinho ainda. Acontece que há algum tempo eu abdiquei da minha busca pela perfeição. Assumi um compromisso comigo mesmo de me permitir muito mais, até pra ajudar a colocar as minhocas no lugar quando elas esboçam alguma rebelião.

Por isso admito (ou diria talvez, confesso) pensar em adotar uma postura mais... er.... digamos... “flexível” com algumas verdades. Estou precisando disso para me sustentar sobre minhas pernas, que não se tornaram curtas, mas podem dar uma mancadinha vez por outra.

Aliás, sobre essa flexibilidade, este post é, para mim, um extremo de sinceridade. Mas já aviso aos remanescentes leitores deste blog que não esperem grandes revelações e relatos tortuosos daqui pra frente. Pois, seguindo os ensinamentos do ex-ministro Rubens Ricupero (aquele do escândalo da parabólica há uns 13 anos, no final do governo Itamar, cuja conversa com um repórter foi captada inadvertidamente por várias antenas no país inteiro), a regra é a de que “o que é bom a gente divulga e o que é ruim a gente esconde”.

Assim, se agora eu desço dois degraus no conceito de muita gente, pelo menos evito despencar ainda mais!

terça-feira, setembro 04, 2007

Cara de palhaço

Não suporto gente que vive reclamando. Do tempo. Da roupa. Da comida. Da vida. Principalmente da vida. Principalmente porque quem reclama da vida é, na maioria das vezes, o tipo de pessoa que não faz nada pra mudar a vida que tem. Nada, a não ser reclamar. O que , de fato, se é capaz de mudar alguma coisa, é apenas para pior. O que dá mais desculpa para reclamação...

E cá estou eu lutando pra não reclamar da minha vida que está melhorando muito. Mas tenho me tornado um insatisfeito comigo próprio. Volto hoje de um período de quinze dias de férias de um dos meus empregos, que tirei para me dedicar a meu escritório e colocar muitas coisas em dia.

Resultado: trabalhei mais do que o habitual, rendi menos do que esperava e não resolvi metade das coisas que esperava resolver neste período. Até porque, sinceramente, acho que não me esforcei tudo o que poderia ter esforçado. Enfim, não foram dias jogados no lixo, de forma alguma. Simplesmente, para mim, não foi satisfatório. E cá estou eu a reclamar...

Pra piorar, ontem aconteceu um episódio no qual me senti muito constrangido perto de uma irmã. Resumindo, há uma amiga mina que, para minha família, é como se fosse minha namorada. Nunca disse isso para eles, mas também nunca barrei esta "esperança". Confesso que algumas vezes até alimentei esta ilusão.

Pois bem, ontem me vi numa situação em que estávamos numa mesa de bar, além de outras duas pessoas: eu, minha irmã, esta amiga e um outro cara (também gay) pagando de homenzinho com esta amiga (abraçando, fazendo carinho, encostando, etc.).

Ficou muito feio pra mim ficar numa mesa em que minha suposta namorada (ou peguete, ou ficante, ou sei lá o que...) estava toda contente e cheia de intimidades com um outro sujeito, e eu com cara de paisagem!

Mas o pior de tudo é a consciência de que, durante muito tempo, eu alimentei esta ilusão aparentemente muito cômoda, mas tanto quanto perigosa. Paguei pelo risco e quebrei a cara. Fiquei com cara de corno, de besta, de otário, e a responsabilidade por isso tudo é minha mesmo, por fomentar uma mentira que me colocou nesta situação ridícula.

Poderia reclamar desta amiga? Não. Ela simplesmente agiu com a naturalidade e a espontaneidade de sempre. Gostaria que ela tivesse percebido a situação e cortado o sujeito, como que para defender a minha situação mesmo. Eu teria agido assim. Fiquei chateado com ela sim. Mas ela não tem obrigação nenhuma de alimentar esta minha mentira e eu não tenho como exigir nada dela também.

Poderia reclamar do sujeito? Não. Aliás, daquele lá (por sinal, o mesmo que mencionei há uns dois posts, que não teve quase ninguém presente no dia do aniversário) não espero nada de bom mesmo, nem tenho amizade para exigir qualquer tipo de colaboração.

Só posso reclamar de mim mesmo, por fomentar esta inverdade que me colocou nesta situação, repito, ridícula e constrangedora. Agora só falta saber se vou mudar de atitude ou vou continuar com tudo na mesma, sem poder fazer muito mais do que simplesmente reclamar.

Por essas e por outras não estou e suportando hoje.

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